CNV- Obstáculos à Comunicação Não Violenta

A primeira reação é: não sou violento nem comunico com violência! Será?

A CNV foi desenvolvida por Marshall Rosenberg na sequência da sua experiência de vida e das suas preocupações. É um guia para recompor a forma como nos expressamos e como ouvimos os outros. Em vez das reações automáticas habituais, as nossas palavras tornam-se respostas firmes e conscientes do que percebemos, sentimos e queremos.

Antes de apresentar o modelo de CNV irei expor alguns exemplos de frases que usamos e das quais podemos não ter consciência e que são uma forma de alienação.

Negação de responsabilidade. Consiste em atribuir responsabilidade pelas nossas ações: às ações dos outros, a papéis sociais ou institucionais, os impulsos incontroláveis, etc.

Exemplos:

• Há um certo número de coisas que temos que fazer, gostando ou não.
• Eu não gosto do meu trabalho, mas eu vou porque.
• Eu não posso comprar chocolate porque como a tablete toda.

Crítica. Apontamos o que está errado ou certo com os outros, se está em harmonia ou não com os nossos valores. Aqui inclui-se insultos, acusações e diagnósticos.

Exigências. Quando um pedido, implicitamente ou explicitamente, contém ameaça com alguma forma de culpa ou castigo, se não for aceite.

Justificar a recompensa e a punição: algumas ações merecem ser recompensadas e outras punidas. Exemplo: “Merece ser punido pelo que fez”.

Coerção. Se agirmos com algum tipo de motivações, provavelmente, poderá resultar em algum tipo de ressentimento, conflito ou desconexão. Se fizer algo motivado por : medo, culpa, vergonha, obrigação, recompensa, punição, “deve”, precisa, deveria, haverá um custo alto para qualquer tipo de relação.

Vozes internas: aquelas vozes que às vezes vem de dentro da nossa cabeça, que se traduzem numa “linguagem impostora” podem magoar os outros e também ao próprio. Se “escutarmos” atentamente podemos ouvi-las todos os dias nas conversas. Elas exprimem mensagens que têm julgamentos óbvios e também ocultos. Exemplos: ignorar, etiquetar, dar conselhos sem serem pedidos, moralizar, ameaçar, certo tipo de humor, indiretas, etc.
O que fazer com estas vozes?
É simples de dizer, mais desafiador é de fazer. 1) apenas reconheça quando ouve (suas ou dos outros); 2) admita as suas vozes; 3) ajude a “voz” a acalmar-se 4) e amanse-a dando-lhe empatia e assim perceber o que realmente sente ou quer ou os outros.

Linguagem de “conforto ou reparação“: é uma linguagem de conselho ou ajuda orientada pelas ideias do emissor do que é bom o recetor ouvir, em vez de estar sintonizada com o que ele quer. É uma solução dada sem determinar 1) qual a forma de ajuda que o recetor quer no momento e 2) se a solução é dada por que o emissor quer e não se o recetor o quer.

Mesmo quando a solução é dada e é percecionada como tal, raramente cura ou ajuda porque o que o recetor precisa no momento é de empatia e perceber, não de solução. Depois de receber empatia ele pode criar as suas próprias soluções. Empatia é uma forma de identificação afetiva ou intelectual.

Exemplos:

• As coisas podiam ter sido piores.
• Não te preocupes, tudo se resolve.
• Sim, o que podes esperar dele, ele é —————— (um homem de negócio, um agressivo, etc)
• Precisas de confiar mais no Universo.
• Tens que aprender a libertar-te dos teus medos
• etc.

Podermos sistematizar os principais obstáculos a uma boa comunicação da seguinte forma:
1) Diagnóstico – sempre que tentamos adivinhar o que vai dentro do outro, e dizê-lo. Ninguém gosta. Porque não verificar em vez de afirmar?!
2) Negação de responsabilidade – algum pensamento ou linguagem que sugira ” não temos escolha”. Podemos não gostar das escolhas que fazemos mas temos sempre escolhas. Temos mais escolhas daquelas que temos consciência.
3) Motivações baseadas em coerção: A energia com que se faz algo é tão importante com a ação em si. Sempre questionar o que é mais importante a coisa ou a relação!?
4) Exigências: muito relacionado com o anterior, mas também só se as necessidades de ambas as partes estão em sintonia.
5) Conceito de punição: a ideia de que se alguém faz algo errado merece ser punido

Vamos pôr em prática?

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