CNV – A estrutura

Na comunicação temos sempre um emissor e um recetor. No modelo da CNV chama-se: honestidade e empatia. De um lado estamos a falar, a dar, a ser autênticos e verdadeiros. Do outro lado estamos a ouvir, a receber, a ser empáticos, a ser capaz de comunicar com o coração. Para conseguirmos este acordo mútuo de dar e receber a partir do coração centramo-nos em 4 componentes :

  •  Observar
  •  Sentir
  •  Necessidade/precisão
  •  Pedir/solicitar

Observar. Primeiro observamos o que está realmente acontecer na situação, tal como se fôssemos uma câmara de filmar. Não se apanha o que é normal ou anormal, apropriado ou desapropriado, gentil ou áspero. Estas classificações são as nossas interpretações, análises ou avaliações do que está acontecer, não são comportamentos realmente observáveis. Se alguém nos diz que o outro foi áspero, eu pergunto: o que é chama ser áspero? A resposta pode dar-me mais algum esclarecimento sobre aquele comportamento, mas não mais do que isso. O objetivo da observação é termos um ponto de partida para conversarmos, sabermos do que estamos a falar para evitar aqueles argumentos que não nos levam a sítio nenhum. É escutar as palavras e observar comportamentos que constituem aquele momento. Há sempre exceções mas no geral estamos a falar de condutas observáveis. Não é fazer da observação uma forma de avaliar, julgar, analisar ou “construir as nossas histórias” sobre os factos que estamos observar. Por vezes é difícil distinguir o que realmente aconteceu da “história” do que aconteceu. É esta diferença que mantém a conversa limpa e a fluir.

Sentir. É necessário expressarmos claramente os sentimentos ou as emoções. Em conversa não queremos dizer coisas que nos parece que são expressão de um sentimento ou emoção mas que são muito mais expressão de uma acusação.
Se digo: “eu sinto-me atacada por ti”… Atacada não é uma sensação ou emoção, no entanto isso não impede que eu não saiba o que é sentir-me atacada por alguém, isto é, sentir-me  confusa, amedrontada ou triste. Há emoções por detrás destas palavras: atacada, ignorada, traída… Mas nenhuma delas são sentimentos. Cada pessoa sente as coisas de forma diferente. Traição não é um sentimento, mas podemos saber o que é que a outra pessoa sente quando é traída. Podemos inspirar os outros quando nos colocamos numa posição vulnerável, com autenticidade, não com fraqueza. Quando mostramos o que vai no nosso coração é uma forma de apaziguamento. Não o fazemos para manipular mas para partilhar a qualidade de conexão com alguém quando diz coisas que parecem sentimentos mas que realmente são uma espécie de acusação. Queremos uma conexão baseada em expressões muito claras. Não queremos expressões ” Eu sinto-me com… “, “Eu sinto-me como se me estivesses a julgar”. O que completa aquelas frases são “pensamentos ” e não sentimentos.

 Necessidade/precisão. Não se está a falar no sentido de falta de qualquer coisa, mas sim de necessidades humanas universais. Sim, água, ar e alimentos são necessidades de sobrevivência, mas para além destas temos necessidades de progresso, de desenvolvimento.
Cada ser humano tem necessidades específicas: amizade, criatividade, expressão, intimidade, autonomia (no sentido de escolha de como gerir a sua vida), confiança, amor, conexão, etc. Quando se  usa esta linguagem de necessidade é uma linguagem que desarma e convida o outro a falar da mesma forma. No entanto não queremos misturar isto com estratégias. Estratégias são maneiras de satisfazer as necessidades e para cada conjunto de necessidades há múltiplas estratégias para as satisfazer. Começamos a encontrar dificuldades na comunicação quando pensamos que a estratégia é a necessidade/precisão. Conhecemos bem a expressão: este é o único caminho! De um mundo de possibilidades/oportunidades direcionamo-nos apenas para uma. Isto é apavorante e assustador e torna a componente (pedidos/solicitações) muito reduzida. Não há uma só maneira da minha necessidade ser preenchida. Queremos conectar a sensação/ sentimento com a necessidade. É o estímulo não a causa. Se a minha necessidade de amizade é preenchida eu tenho certas sensações ou sentimentos. Se a minha necessidade de amizade não é preenchida eu vou ter outras sensações ou sentimentos.

Pedir/solicitar. É normal na CNV pedir/solicitar às pessoas o que queremos que elas façam no entanto não estão a fazer uma exigência. Num verdadeiro pedido/solicitação é possível eu ouvir um não com o mesmo amor do que um sim. Da mesma forma, as tuas necessidades contam como as minhas. Numa exigência as minhas necessidades não contam, eu só quero as coisas feitas e não quero saber da energia com que elas são feitas (medo, culpa, vergonha, etc). Se aceitamos um pedido devemos fazê-lo/cumpri-lo com alegria, amor , satisfação, etc, caso contrário cria ressentimento.

Se fazemos um pedido/solicitação e a outra parte diz que não, o que fazemos é ter de novo uma conversa sobre as necessidades e depois vamos explorar as estratégias para satisfazer essas necessidades.

É desafiante dizer algo a alguém com quem se está zangado. Veja se pode dizer o que normalmente se diz, nestas 4 componentes:

  •   O que está observar. Identifique o facto sem avaliações, opiniões, julgamentos ou  análises.
  •   O que sente sobre essa observação.
  •   Qual a necessidade/precisão que não está a ser satisfeita
  •   O que está a pedir/solicitar para…

Parece muito simples…

 Aldina Costa

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